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Afif defende liberação de compulsórios para financiar pequenos negócios

O presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, defendeu na última quarta-feira (4) a liberação de 20% de depósitos compulsórios dos bancos para financiamento de capital de giro das micro e pequenas empresas. As instituições financeiras são obrigadas a guardar no Banco Central uma parte do dinheiro depositado pelos correntistas, reduzindo a oferta de crédito.

Segundo Afif, a medida permite injetar aproximadamente R$ 40 bilhões na economia, contribuindo para financiar a produção dos pequenos negócios, que somam 95% das empresas brasileiras. O presidente do Sebrae ressaltou que a liberação do compulsório não tem efeitos na inflação porque os recursos serão usados para investimento e não para consumo.

“O pequeno e micro empresário têm imensa dificuldade de acessar o sistema financeiro. O papel do Sebrae é entrar duro nessa batalha de liderar as políticas públicas voltadas aos pequenos empresários”, disse Afif, na abertura do Fórum de Cidadania Financeira, realizado pelo Banco Central em parceria com o Sebrae, em Brasília. “O Brasil tem instituições financeiras fortes, mas que concentram o crédito para a produção. A tendência é trabalhar com as grandes empresas”.

Nesse cenário, enfatizou Afif Domingos, o pequeno empresário encontra formas alternativas para se financiar e tem enfrentado juros altos. “Hoje, o principal financiador da micro e pequena empresa no Brasil é seu fornecedor”, afirmou, ao citar dados de pesquisas da instituição que serão apresentadas na Oficina Temática 1 – Inclusão Financeira dos Pequenos Negócios – que se estenderá pela tarde desta quarta (4) e manhã de quinta-feira (5), durante o Fórum.
“Hoje, o empresário só consegue crédito como pessoa física, porque como pessoa jurídica ele não cumpre os requisitos necessários. E, quando consegue, não consegue cumprir, por causa dos juros”, explicou o presidente.

Crédito caro

Dentre os principais dados que serão apresentados, Afif Domingos ressaltou que, em 2015, apenas 17% dos microempresários e 24% dos empresários de pequeno porte tomaram novos empréstimos. O pagamento de fornecedores a prazo foi a maneira encontrada por 72% das microempresas e 76% dos empreendimentos de pequeno porte para se financiarem. Já a utilização dos cheques pré-datados foi utilizado por 51% das microempresas e 57% das empresas de micro e pequeno porte.

“O famoso pré-datado – que, como a jabuticaba, é coisa nossa – no Brasil virou meio de crédito e está consagrado junto ao pequeno empreendedor”, brincou Afif.

Em contrapartida, 84% dos microempreendedores e 89% dos empreendedores de pequeno porte possuem conta corrente como pessoa física. Como pessoa jurídica, o valor médio de pedidos de empréstimo realizados foi de R$ 36 mil pelos microempresários e de R$ 56 mil pelos de pequeno porte. “A procura de financiamento de capital de giro foi a razão mais procurada para esses pedidos”, completou Afif. No entanto, apenas 87% do valor médio solicitado foi liberado para as microempresas e 92% para as empresas de pequeno porte.

A taxa de juros foi a maior dificuldade apontada pelos pequenos empresários na tomada de empréstimos: ela foi citada por 49% das microempresas e 60% das empresas de pequeno porte. “Tomar empréstimos a juros de 4% ao mês quebra qualquer empresa”, enfatizou. Ao defender a liberação do compulsório, Afif lembrou que a pequena empresa ainda sustenta a economia: “as grandes empresas já demitiram 800 mil desde janeiro, enquanto as micro e pequenas contam com 109 mil vagas criadas, embora esse dado já tenha caído no último mês”.

Crescer sem Medo

Afif defendeu ainda a aprovação do projeto Crescer sem Medo, em tramitação no Congresso Nacional. A proposta cria novas faixas de tributação para o dono de pequeno negócio, facilitando seu crescimento e, com isso, abrindo o acesso ao crédito.

O Oficina Temática 1 – Inclusão Financeira dos Pequenos Negócios – que apresentará a totalidade das pesquisas – acontece entre a tarde desta quarta e a manhã desta quinta-feira, no Auditório 1 do Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. Ela se subdivide em três: O acesso do Microempreendedor Individual (MEI) ao Sistema Financeiro (1.A); O acesso do Microempreendedor Individual (MEI) ao Sistema Financeiro (1.B); e Desafios e oportunidades frente à oferta e demanda por serviços financeiros para pequenos negócios (1.C). As duas primeiras acontecem, respectivamente, às 14h e às 16h15 desta quarta-feira (4); e a terceira às 8h30 de quinta-feira (5).

Fonte: Agência Sebrae